Crise de gratidão_Pr. Lécio Dornas

Eu estava fazendo o check-out num hotel recentemente,  quando um funcionário levou minhas malas e as de outros hóspedes, da recepção até o carro do hotel que nos levaria ao aeroporto. Depois de realizar o serviço, cada um que teve sua mala carregada, deu uma gorjeta para o rapaz. Todos deram, à exceção de um senhor, grisalho, meia idade que, mesmo sendo instigado pela esposa, recusou o gesto de cortesia. No carro, apoiada pelo olhar de todos, o hóspede ingrato recebeu severa repreenda de sua esposa: - Que absurdo! O rapaz carregou as nossas malas até o carro! – E daí? Respondeu o pão duro…

Se você souber por onde anda a gratidão avise, pois está sendo procurada. Há, inclusive, recompensa atraente para quem encontrá-la. 

Hoje as pessoas vivem na coluna do crédito. Estão sempre achando que os outros lhes devem algo, que tem sempre a haver. Então, por isso, instalou-se um clima de cobrança generalizado; a tal ponto de muitos simplesmente ignorarem coisas singelas, gestos pequenos que as pessoas fazem em seu favor, mas que eles sequer notam e, muito menos, agradecem. 

Bíblia, O livro da Páscoa_Pr. Luiz Sayão

A Páscoa é um tempo sacro. É uma das datas que apontam para um irromper do Sagrado no calendário profano. A inspiração dessa tradição de fé tem origem nas Escrituras Sagradas, ponto de referência da tradição judaico-cristã. A Páscoa judaica é descrita em Êxodo 12, no segundo livro da Lei (Torá), enquanto que a Páscoa cristã é narrada nos evangelhos sinóticos (Mateus 26; Marcos 14 e Lucas 22).

A sociedade brasileira está entre as mais elaboradas em sua relação empática com o Sagrado. A prova disso é a intensa procura pela Bíblia no território verde-amarelo por parte de todas as confissões. Há versões judaicas como a Torá, do Rabino Meir M. Melamed, e os Salmos de David  (editora Sefer); as tradicionais versões católicas da Vulgata de António Pereira de Figueiredo, de 1790 e a do padre Matos Soares, de 1930 e a clássica versão protestante de João Ferreira de Almeida de 1681,  publicada integralmente apenas em 1753.

Cargos ou cargas_Pr. Oswaldo Jacob

“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.2)

Temos a tendência natural para cargos. E como a temos! Podemos até lutar por eles. Cargos geralmente trazem status, posição e destaque. Como gostamos dessas coisas! O grande problema do homem é conquistar o seu espaço mesmo que isto implique em passar por cima dos outros, fazendo dos ombros do próximo um degrau para a sua ascensão. Apreciamos ser admirados e ovacionados. O nosso ego gosta do topo, do pódio, de estar na crista da onda. É notório que o coração do homem busca glória, reconhecimento, ser famoso e poderoso. 

Há líderes que sacrificam a família por causa de cargos denominacionais. Confesso que tenho pena dessa gente tão apequenada. Gente de visão estreita.

Nas igrejas, associações, ordens, convenções os cargos são disputados. Há indicações políticas, conchavos. Há, muitas vezes, manipulações, politicagem e atitudes e ações maquiavélicas. Soube que um irmão nosso, executivo de uma das nossas juntas, estava muito doente entre a vida e a morte, e havia elementos da organização buscando apoio para substituí-lo e até já havia candidatos.

Deus sonha?_ Pr. Sylvio Macri

Nos últimos tempos tenho ouvido frequentemente canções, pregações e afirmações diversas dizendo que Deus tem sonhos. Também tenho visto postagens nas redes sociais que dizem o mesmo. Mas, será que Deus sonha?

De fato, há muitas citações de sonhos na Bíblia, algumas famosas, como aquele de Jacó em que uma escada que tocava o céu (Gn.28.12), ou aquele em que Deus diz a Salomão para pedir o que quiser e o jovem rei pede apenas sabedoria para governar (1Rs.3.4-15). Também famoso é o sonho que José teve a respeito do nascimento de Jesus (Mt.1.20,21). Esses episódios mostram que Deus usou sonhos para revelações específicas à certas pessoas, mas não podem ser usados para estabelecer um ensino doutrinário.

Por outro lado, a Bíblia fala dos sonhos como algo passageiro, volátil, e com os quais se deve ter cuidado (Jó 20.8; Ec.5.7; Sl.73.20; Sl.90.5). E, mais ainda, a Palavra de Deus nos adverte contra os falsos profetas que usam seus pretensos sonhos para desviar e enganar o povo de Deus (Dt.13.2-5; Jr.23.25-28,32; Zc.19.2).

Deus quer que sejamos diferentes, não esquisitos - Pr. Luiz Sayão

Há alguns anos, no interior do estado do Tocantins, aproximei-me de um senhor e puxei conversa com o cidadão de média estatura, moreno e já passado dos 40 anos de idade. Procurando compartilhar com ele o evangelho, comecei a falar do amor de Deus, da pessoa de Cristo, do plano de salvação, quando ele me interrompeu e me encarou, e, carrancudo, perguntou-me: “Você é crente?”. 

E logo depois de minha resposta afirmativa, ele prosseguiu: “Mas, você bebe café?”. Quando respondi que sim, o homem esbravejou: “Então você não é crente coisa nenhuma, porque o crente que é crente mesmo nem café não bebe!” Nunca mais esqueci aquela experiência inesperada, intrigante e triste.

Por que será que tantas pessoas têm tal ideia dos cristãos evangélicos? De onde procede tal perspectiva? Apesar das caricaturas injustas dos evangélicos disseminadas atualmente, parte dessa imagem estranha vêm dos próprios “crentes”. Muitas vezes, porém, tais comportamentos extremistas procedem de pessoas sinceras e que amam a Deus. Como entender tal situação?

Generosidade - Pr. Oswaldo Jacob

Generosidade é a capacidade intrínseca de doar, ofertar, ajudar, investir, socorrer nos momentos difíceis da vida. A pessoa generosa tem prazer em servir com o seu trabalho e seus recursos financeiros. O samaritano foi generoso com aquele judeu caído na estrada de Jerusalém a Jericó, vítima de salteadores, enquanto o levita e o sacerdote, ambos judeus, religiosos, haviam deixado o homem caído, sem socorro (Lc 10.25-37). Barnabé agiu com generosidade ao doar o dinheiro do seu terreno vendido, colocando-o aos pés dos apóstolos (At 4.36,37). As igrejas da Macedônia foram pródigas em ajudar as igrejas coirmãs na Judéia, durante a terrível seca que assolava a região (2 Co 8 e 9).

A generosidade é fruto de um coração desapegado das coisas materiais. De um coração liberto da volúpia do ter, da escravidão dos bens terrenos. Ela é fruto de um coração quebrantado e contrito, desprovido de ganância e sovinice. Coração cujo centro é o Senhor Jesus Cristo. O centurião de Cafarnaum (Mt 8.5-13; Lc 7.1-10); e o centurião Cornélio (At 10.1,2), foram homens muito generosos e admirados por suas respectivas comunidades. Jesus curou o servo do centurião de Cafarnaum e salvou Cornélio. As pessoas generosas são abençoadas por Deus.

Ser generoso ou generosa significa oferecer o coração antes da ação. Antes de ajudar alguém, o coração já está predisposto à graça de dar, uma característica da pessoa regenerada, nascida de novo.