ABL Juntos_Outubro 2018

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O grande problema de Missões

Antigamente nós tínhamos uma visão muito romântica de missões. Era mais uma atividade heróica, em que a pessoa partia para uma verdadeira aventura em terras estranhas, para pregar o evangelho a pessoas estranhas, que nunca o teriam ouvido e, muito provavelmente, mostrariam uma forte reação à Palavra de Deus. Os lugares para onde se enviavam os missionários, mesmo que fossem cidades, geralmente eram de difícil acesso e sem recursos, de maneira que ser missionário representava, antes de mais nada, renunciar ao convívio da família e ao conforto do lugar de origem.
 
Este conceito mudou radicalmente. Hoje temos uma visão muito mais ampla da obra missionária. Compreendemos agora que ela não se faz somente nos sertões e nos países distantes, mas igualmente bem pertinho da porta da nossa casa. E não estamos falando aqui daquele conhecido argumento que diz que cada um de nós, os crentes, pode ser também um missionário. Referimo-nos a enviar missionários e sustentá-los para trabalhar na nossa própria cidade.


Mesmo a nossa visão de missões mundiais ampliou-se grande-mente, em virtude da globalização da economia, dos transportes e das comunicações; a viagem de avião para qualquer nação do mundo pode ser feita em menos de vinte e quatro horas, e a comunicação via satélite se dá em tempo real. Atualmente os evangélicos brasileiros estão fazendo missões em praticamente todas as nações do mundo.

Também chegamos a compreender que fazer missões não é só enviar missionários brasileiros, mas, talvez até em muito maior proporção, buscar obreiros da própria nação ou povo que queremos evangelizar. São os chamados missionários da terra ou autóctones, que têm muito mais facilidade para fazer a obra de missões que os estrangeiros, pois não têm, como estes, que gastar um longo tempo para aprender a língua e os costumes dos povos aos quais são enviados e para ganhar a sua confiança. E há mais uma vantagem: é muito mais fácil sustentar um missionário da terra do que um estrangeiro.

Outra coisa que contribuiu para mudar a nossa visão missionária é que o mundo tornou-se urbanizado. O nosso próprio país tornou-se tão urbanizado que hoje menos de 15% da população vivem nas áreas rurais. E há verdadeiras megalópoles espalhadas por todo o mundo, onde o tráfico de drogas, o crime organizado, a prostituição, os vícios, as falsas religiões já chegaram, e o evangelho ainda não chegou. Ou se chegou, a sua penetração é ainda insignificante. O grande campo missionário da atualidade são as grandes cidades.

Mesmo nas grandes concentrações urbanas do Brasil, onde temos tantas igrejas, tornou-se necessário ter pessoas especialmente chamadas por Deus e sustentadas por nós para trabalhar naqueles lugares onde a maioria dos crentes não pode ir por falta de tempo, de oportunidade, de treinamento e de credenciamento ou licença. São os hospitais, as cadeias, os portos, as casas de internação de viciados, as de internação de menores, os pontos turísticos, as universidades, etc. Há também as atividades arriscadas, como o trabalho nas favelas e com os moradores de rua.

Realizar missões nessa nossa “aldeia global” é um privilégio e uma responsabilidade sem precedentes, porque, se por um lado o progresso facilitou o acesso a todos os pontos do planeta Terra, assim permitindo que a mensagem do evangelho penetrasse em qualquer lugar, mesmo nos mais fechados, por outro lado, esta oportunidade sem igual precisa ser urgentemente aproveitada, antes que termine a nossa geração, antes que outros milhões de pessoas morram sem ouvir falar de Jesus. Deus deu à nossa geração o que não deu às anteriores: a chance de cumprir o “Ide” de Jesus numa dimensão jamais vista. Está em nossas mãos fazê-lo, as condições estão dadas.

Entretanto, é mais fácil para Deus mover a roda da História, como tem feito, criando tantas oportunidades para missões, do que mover o coração duro dos crentes que não se abrem para essa obra. Sim, porque essa é uma questão não só da vontade de Deus, mas também da vontade do homem. Ele é soberano, mas espera a nossa participação voluntária na obra, pois este é o seu plano: que homens e mulheres sejam suas testemunhas em todo o mundo, que se engajem, indo diretamente aos campos ou contribuindo para o sustento dos que vão, e que orem para que a obra dê resultados.

Portanto, o grande problema da obra missionária neste mundo sem fronteiras não são as barreiras raciais, culturais, políticas ou logísticas, mas a falta de recursos humanos, financeiros e espirituais. Precisamos de mais gente para ir aos campos, precisamos de mais gente participando financeiramente, precisamos de mais gente orando por missões.

Em tempos recentes apurou-se que o valor médio ofertado por ano para a obra missionária pelos evangélicos brasileiros é menor que o valor de uma Coca-Cola. Isto mesmo: todo o dinheiro dado para Missões pelos crentes brasileiros, dividido pelo número total desses crentes, dá um valor anual menor que o preço de uma latinha de Coca-Cola, que a gente consome em poucos minutos. Este é o maior problema de missões: crentes que não dão nada ou quase nada para a obra missionária, igrejas que nunca aparecem nas listas de ofertas, ou que aparecem com ofertas simbólicas. Não nos enganemos, irmãos: todos nós haveremos de comparecer perante o tribunal de Cristo e prestar contas da nossa omissão nesta hora, neste mundo de tantas oportunidades. Que nenhum dos que me lêem seja achado culpado naquele dia.

Pr. Sylvio Macri
Pastor da IB Central de Oswaldo Cruz-RJ