ABL JUNTOS

ORAÇÃO – Uma ferramenta para a Santificação

A relação entre oração e santificação é estreita. Foi em meio a uma oração que Jesus pediu ao Pai: “Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”. (João 17.17). Ele não precisava, evidentemente, orar pela sua própria santificação; assim, orou pela nossa, ensinando-nos que podemos e devemos orar por mais santidade; para nós, para a nossa família e para nossa igreja. A oração é um ato de intimidade com Deus. Maior intimidade com ele leva-nos a uma exposição mais intensa à sua santidade. Parafraseando o ditado popular, diríamos: “Diga-me com quem você conversa e lhe direi quem você é”. Quanto mais nos comunicamos com aquele que é Santo, tanto mais santos nós próprios nos tornamos. Por assim dizer, somos contagiados pela santidade de Deus.

Jesus ensinou, em Mateus 6.5-15, que toda oração deve incluir um pedido de perdão pelos pecados, e que esse perdão somente nos será dado à medida que perdoarmos aos nossos ofensores (por implicação Jesus estava também ensinando que precisamos buscar o perdão dos nossos semelhantes). Creio que o objetivo do Mestre era nos fazer perceber o quanto somos pecadores, tanto contra Deus como contra os nossos semelhantes, e nos ensinar que não precisamos conviver com o pecado nem com a culpa que ele traz, em nenhum sentido. Podemos e devemos ser limpos do pecado, bem como da mágoa que ele possa produzir em nós. E isso também é santificação.

Se você ora por santificação isso significa que você toma tempo em oração e que busca um objetivo específico. Separar uma parte do seu tempo em oração já é, por si mesmo, um ato de santificação, pois essa palavra na Bíblia significa separação de algo para ser oferecido a Deus.
E orar por santificação é ainda mais agradável a Deus, pois mostra que você reconhece a importância da santidade e sua necessidade dela. O Deus santo deseja que sejamos santos: “Sereis santos porque eu sou santo” (I Pd.1.16).

Atentando para essas verdades é que Paulo determina a Timóteo: “Quero que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ódio nem discórdia” (I Tm.2.8). Paulo quer “que os homens orem”, porque a oração é absolutamente necessária a nós. Oração é coisa do ser humano autêntico que se curva diante de Deus, é a maneira como o homem e a mulher falam a Deus de sua intimidade, necessidades, problemas, dúvidas, pecados, limitações e fraquezas; também dos planos e propósitos, bem como dos sentimentos. Oração é o meio pelo qual pedimos as coisas ao Senhor: “Em verdade, em verdade vos digo que o Pai vos concederá tudo quanto lhe pedirdes em meu nome.” (Jo.16.23). Também é um dos meios pelos quais Deus se torna para nós uma verdadeira “pessoa”, e não uma simples “entidade divina”.

Com a expressão “em todo lugar”, o apóstolo está se referindo ao fato de que a oração não tem lugar nem hora marcados para acontecer. Sendo a expressão de um filho para seu Pai, é algo que vem do íntimo, do profundo da alma. Pode-se orar em qualquer lugar sem que ninguém perceba isso. Deus não habita em templos feitos por mãos humanas, assim o lugar em que acontece a oração é o seu coração: a qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer situação (Jo.4.23,24). Portanto, não existe um lugar “santo”, que torne a oração mais “santa”.
“Levantar mãos santas” é uma metáfora, simbolizando orações provenientes de corações puros, livres de falsidade e deslealdade, mentes dominadas pelo Espírito de Cristo, filhos verdadeiros de Deus que amam como ele amou. É um simbolismo da restauração operada por Jesus em nós, reconciliando-nos com Deus, que agora é nosso Pai e se inclina para ouvir-nos. O sangue de Jesus nos abriu um novo e vivo acesso ao Senhor, a quem agora podemos nos dirigir livremente, pois o pecado foi removido (Hb.10.19,20).

A expressão “sem ódio nem discórdia”, refere-se à afirmação de Jesus, acima mencionada, de que somente serão ouvidas as orações proferidas por um coração que ama e perdoa (Mt.6.12,14,15). As mais belas e contritas orações não passam de meros e vazios discursos, quando feitas por crentes inflexíveis e legalistas, que cultivam o ódio e a discórdia. Jesus nos lembra que o mesmo Deus a quem dirigimos nossa oração também será procurado pelo nosso irmão com quem temos algo a acertar. Portanto é melhor nos acertarmos antes, e somente depois orar (Mt.5.21-26).


Mas se estamos falando de orar em busca de santificação, será de grande valia meditar sobre duas orações que estão registradas no livro de Neemias, em 1.5-11 e 9.5-38, em que aprendemos sobre a oração que leva à santificação.


Essa oração começa por reconhecer a soberania e a santidade de Deus, bem como o seu amor e sua misericórdia. O Senhor é o Deus grande temível, o Deus justo e leal em tudo o que faz, mas é também o Deus da aliança que permanece sempre fiel, ainda que nós sejamos infiéis. A santificação começa, pois, quando se estabelece corretamente quem é Criador e quem é criatura, quem é Santo e quem é pecador, quem perdoa e quem é perdoado, quem pede e quem dá, quem sustenta e quem é sustentado, quem é Senhor e quem é servo, quem é Pai e quem é filho.

Essa oração é também, e sempre, uma clara confissão de pecados, uma declaração de arrependimento e uma súplica por perdão. O crente precisa ser purificado para tornar-se vaso de honra e útil para toda a boa obra. Os pecados devem ser expostos um a um diante do trono da graça, para que sejam lavados pelo sangue de Jesus. É essa purificação que nos dará condições de permanecer na presença do Santo e de nos apropriarmos cada vez mais da sua santidade (Isaías 6.1-10). Neemias disse: “Eu e a minha família pecamos.” (Ne.1.6). Os líderes do povo disseram: “Tu, porém, foste justo em tudo que se abateu sobre nós; tu agiste com lealdade, mas nós com perversidade.” (Ne.9.33).

E ainda, essa oração inclui ação, busca conseqüência. Neemias encerra sua oração pedindo que o Senhor o faça bem sucedido na conversa com o rei, a quem pediria licença e ajuda para reconstruir Jerusalém. Os líderes do povo, após terminar sua oração, firmam, em nome do povo, uma aliança com o Senhor, em que assumem o compromisso de obedecer aos mandamentos da Lei, santificar suas famílias, santificar o sábado, sustentar o culto com os dízimos e ofertas e adorar da maneira correta (veja Neemias 10). A santificação sempre leva à ação, e a oração que a busca deve incluir a súplica por agir e servir.

Pr. Sylvio Macri

Pastor da IB Central de Oswaldo Cruz-RJ